sábado, 26 de abril de 2008

Palavras soltas


A partir da premissa dada (em destaque), fazer um texto

Gosto das palavras soltas, livres, sonoras, sem sentido, irreverentes, musicais, gritantes, clandestinas
Essas palavras são coloridos no cinzento da vida
Então atiro-as sobre a mesa, o chão, a cama, os livros, a minha cabeça
Recolho as letras uma por uma, guardo-as numa caixinha prateada que fecho com chave, embrulho-a em cetim violeta e agito com fervor
Pouco importa como elas se vão entender lá dentro porque eu sei que, quando abrir outra vez a caixinha, vou encontrar uma multidão de letras a cantar, a declamar, a saltitar, a sorrir ou simplesmente a conversar
O que fica é a certeza de que as novas palavras que dali vão resultar são fecundas e plenas e me vão fazer sentir completa

3 comentários:

Allison Ambrosio disse...

Li recentemente um pequeno texto, parte do livro de Pablo Neruda "Confesso que vivi", sobre a relação simbiótica que ele tinha com as palavras.

Muito parecido com esse que você escreveu. Quando digo "muito parecido" é porque trata-se de textos diferentes mesmo, conservando apenas alguns traços comuns.

Ou seja, não sei quais as suas pretensões como escritora, mas veja até onde pode chegar. Já emparelhou com os grandes!Parabéns!

Anónimo disse...

Deixas fluir as palavras que resvalam da alma sem permitir que se percam, orientando-as, conduzindo-as até nós…
Engraçado… Também para mim António Lobo Antunes, também para mim 21 gramas ou Amor Cão ou Babel… também para mim escrever, escrever, escrever…
dsurgy@gmail.com

Mafalda disse...

Estou-me a sentir pequena perto da tua grandeza, da tua coragem. Ainda bem que fizeste uma pausa para te dedicares a outras coisas. Destas que dão sentido à vida e fazem esperar pelo amanhã.
Vou-me manter atenta...
Maf